Recostura
A alma é vidro prestes a rachar. O reflexo nunca se demora. O corpo, de tanto gasto, se rompe. Ser obrigado a se recosturar, funcional dentro da promessa da perda, perdido no labirinto da dúvida alheia. Quebrado, mas ainda de pé pra dar colo. Pagar em moedas de um centavo, segundo a segundo, as terceiras intenções dos outros. Cair num poço sem fundo até esquecer que está caindo, porque a queda é tudo que resta. É o avesso da vida que se tece na borda de um abismo. De tanto querer, perde-se no alcançar. O que foi calado é emergência que dói. Mas no oco do peito que estremece tem um ponto cego que o pavor ignora: a luz que no deserto resiste é a mesma que o amanhã busca lá fora. EDU LAZARO









