Recostura
A alma é vidro prestes a rachar.
O reflexo nunca se demora.
O corpo, de tanto gasto, se rompe.
Ser obrigado a se recosturar,
funcional dentro da promessa da perda,
perdido no labirinto da dúvida alheia.
Quebrado, mas ainda de pé pra dar colo.
Pagar em moedas de um centavo,
segundo a segundo,
as terceiras intenções dos outros.
Cair num poço sem fundo
até esquecer que está caindo,
porque a queda é tudo que resta.
É o avesso da vida que se tece
na borda de um abismo.
De tanto querer, perde-se no alcançar.
O que foi calado é emergência que dói.
Mas no oco do peito que estremece
tem um ponto cego que o pavor ignora:
a luz que no deserto resiste
é a mesma que o amanhã busca lá fora.
EDU LAZARO
O reflexo nunca se demora.
O corpo, de tanto gasto, se rompe.
Ser obrigado a se recosturar,
funcional dentro da promessa da perda,
perdido no labirinto da dúvida alheia.
Quebrado, mas ainda de pé pra dar colo.
Pagar em moedas de um centavo,
segundo a segundo,
as terceiras intenções dos outros.
Cair num poço sem fundo
até esquecer que está caindo,
porque a queda é tudo que resta.
É o avesso da vida que se tece
na borda de um abismo.
De tanto querer, perde-se no alcançar.
O que foi calado é emergência que dói.
Mas no oco do peito que estremece
tem um ponto cego que o pavor ignora:
a luz que no deserto resiste
é a mesma que o amanhã busca lá fora.
EDU LAZARO


