Ano Zero

A cama é o fundo do mar, onde se desiste de nadar. O estalo não veio de fora ou da porta, veio de dentro, onde algo se corta, do lugar onde o peito se fecha e se alaga, onde a esperança se esvai e se apaga. A luz azulada no espaço vazio, os bilhetes rasgados, o silêncio frio. O sistema nervoso é um mapa sem rastro, a dor não tem nome, só o peso do lastro. A mente esgotou, não há mais combustão, já não há vontade, só sobra o vão. Não há monstro nem santo, não há quem julgar, apenas o peso de estar. No meio do caos o instinto é não deixar-se ir, é procurar onde sair. EDU LAZARO

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