O porto de vidro
O mundo lá fora grita, mas não entende
que o passo arrastado também é avanço.
Entreguei o que pediram, o que o corpo mal rende,
numa estrada que cansa e vai te consumindo até o calcanhar.
Trezentos e cinquenta metros pra ir é subida,
pra voltar, memória mecânica, se não fosso dolorida a descida.
Mas o gesto foi feito. Mesmo no meio do cansaço,
porque ainda sobra isso: o cuidar. Não reconhecido, mas real.
Nem o silêncio é remédio, é imposição do tempo.
A chave do meu mundo travou, não abre nem fecha acordos,
aconteceram guerras que trincou os acessos.
As almas foram do fogo ao gelo,
picotadas e rabiscadas de descontrole por nada,
só por um pouco de falta de humanidade, já não era tanta
quando o relacionamento vira sonho vívido perturbador
de uma tarde vazia sem escolhas além de acordar,
e encarar este deserto interno,
indisposição que não passa sem o sorriso de uma criança.
Que a noite me cubra sem peso, sem cobrança.
Que o sono apague o que o dia me arrancou sem dó se doeria.
No escuro onde durmo, na ilusão da calma, sem cama,
descansa quem persiste por teimosia.
EDU LAZARO
que o passo arrastado também é avanço.
Entreguei o que pediram, o que o corpo mal rende,
numa estrada que cansa e vai te consumindo até o calcanhar.
Trezentos e cinquenta metros pra ir é subida,
pra voltar, memória mecânica, se não fosso dolorida a descida.
Mas o gesto foi feito. Mesmo no meio do cansaço,
porque ainda sobra isso: o cuidar. Não reconhecido, mas real.
Nem o silêncio é remédio, é imposição do tempo.
A chave do meu mundo travou, não abre nem fecha acordos,
aconteceram guerras que trincou os acessos.
As almas foram do fogo ao gelo,
picotadas e rabiscadas de descontrole por nada,
só por um pouco de falta de humanidade, já não era tanta
quando o relacionamento vira sonho vívido perturbador
de uma tarde vazia sem escolhas além de acordar,
e encarar este deserto interno,
indisposição que não passa sem o sorriso de uma criança.
Que a noite me cubra sem peso, sem cobrança.
Que o sono apague o que o dia me arrancou sem dó se doeria.
No escuro onde durmo, na ilusão da calma, sem cama,
descansa quem persiste por teimosia.
EDU LAZARO


