Quilômetros de Cinza
Desenhei quilômetros de asfalto para convencer o corpo
de que a vida ainda pulsa em fadiga e orvalho.
Mas o tempo, esse arquiteto de névoas,
diluiu as margens entre o que foi e o que resta:
o ontem não mais me afoga,
flutua como cinza de incenso,
despojado da gravidade que outrora me dobrava.
Nesta travessia de sentidos suspensos,
a fome desponta como único farol;
o pão de cada dia são pedras que carrego nos bolsos
para que o espírito, leve demais, não se perca na brisa.
Cada bocado é um pacto de permanência,
um juramento com o que ainda é real.
E se a vista se turva na palavra que resiste,
é porque a resiliência não se escreve em linha reta.
Chove sobre quem permanece, pranto que fecunda o solo,
a caligrafia trêmula de um verbo que se recusa a findar.
Sou o espectador de mim mesmo,
sentado e atento,
convertendo o ontem no peso necessário de estar aqui.
EDU LAZARO
de que a vida ainda pulsa em fadiga e orvalho.
Mas o tempo, esse arquiteto de névoas,
diluiu as margens entre o que foi e o que resta:
o ontem não mais me afoga,
flutua como cinza de incenso,
despojado da gravidade que outrora me dobrava.
Nesta travessia de sentidos suspensos,
a fome desponta como único farol;
o pão de cada dia são pedras que carrego nos bolsos
para que o espírito, leve demais, não se perca na brisa.
Cada bocado é um pacto de permanência,
um juramento com o que ainda é real.
E se a vista se turva na palavra que resiste,
é porque a resiliência não se escreve em linha reta.
Chove sobre quem permanece, pranto que fecunda o solo,
a caligrafia trêmula de um verbo que se recusa a findar.
Sou o espectador de mim mesmo,
sentado e atento,
convertendo o ontem no peso necessário de estar aqui.
EDU LAZARO


