Obsolescência

Certas noites são névoas dobrando páginas,
rápidas pra ler, lentas de tantas as horas até o amanhecer,
horizonte de gesso onde o sol esqueceu de nascer.

Eco do sino de vidro trincado
afundado no lodo depois do único badalar,
pássaro engaiolado que nunca soube voar
tentando liberdade no único e último piar.

Consciência de falha grave em fios de alta tensão
oscilando entre decifrar o vento e a exaustão.

Corpo de piano de gelo desafinado pela neuroquímica,
notas lentas desacelerando o ritmo a bombear.

Coração como motor engasgado.
Remédios contra a ansiedade persistente.
Tédio sentindo como companhia solidão fria.
Portões enferrujados do peito trancados sem cadeado,
esperando alguém que não vem entrar.
EDU LAZARO

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