O que resta é durar
O tempo agora é um rio denso,
onde a luz da sala flutua como um resto de naufrágio.
Apenas o eco de uma consciência que teima em não naufragar.
Há um lirismo amargo em estar acordado quando o silêncio é absoluto.
É como ser o único habitante de uma estrela que já esfriou,
carregando no peito um peso que não respira,
que pesa,
que insiste.
Esse aperto feito de ausência.
É o cansaço querendo virar repouso, mas é mais um sopro.
As gotas caíram como chuva em solo árido.
Mas a mente é poço sem eco
e o deserto recusa adormecer.
Eu busco a margem onde a noite termina,
aquele horizonte onde a luz finalmente perdoa quem não dormiu.
A solidão se faz textura,
tecido frio contra a pele,
falta de um respirar alheio para dar ritmo ao que resta.
Vigiar castelos de vidro, contar areia que escorre sem cessar,
vigiar, contar, vigiar,
até que o gesto vire nada.
O que resta é durar.
Até que o "eu" se dissolva na névoa
e a noite esqueça de vigiar,
ou não.
EDU LAZARO
onde a luz da sala flutua como um resto de naufrágio.
Apenas o eco de uma consciência que teima em não naufragar.
Há um lirismo amargo em estar acordado quando o silêncio é absoluto.
É como ser o único habitante de uma estrela que já esfriou,
carregando no peito um peso que não respira,
que pesa,
que insiste.
Esse aperto feito de ausência.
É o cansaço querendo virar repouso, mas é mais um sopro.
As gotas caíram como chuva em solo árido.
Mas a mente é poço sem eco
e o deserto recusa adormecer.
Eu busco a margem onde a noite termina,
aquele horizonte onde a luz finalmente perdoa quem não dormiu.
A solidão se faz textura,
tecido frio contra a pele,
falta de um respirar alheio para dar ritmo ao que resta.
Vigiar castelos de vidro, contar areia que escorre sem cessar,
vigiar, contar, vigiar,
até que o gesto vire nada.
O que resta é durar.
Até que o "eu" se dissolva na névoa
e a noite esqueça de vigiar,
ou não.
EDU LAZARO


