Eclipse total
Há um cinza fingindo ser dia,
o tempo escorreu sem corte,
sem a misericórdia do escuro.
A madrugada trouxe tinta.
Ergueu-se um escudo de papel contra a morte,
o medo arquivado em parágrafos,
o corpo endurecido em pedra.
Agora resta apenas o sono,
o desejo sagrado de ser silêncio,
de fechar os olhos
e deixar que o mundo gire
sem sentinela.
EDU LAZARO

