Do apagamento
O grito morreu no silêncio.
Dor demais, o mundo pune quem extravasa.
Então o berro é pra dentro.
Vem de um choro ressentido,
rasga o véu da realidade,
retalha pela memória cruel,
escorre o que era real,
e hoje é retrato do que foi,
que o coração tenta segurar
mas os dias tomam sem piedade.
Desejo não realizado é promessa vazia.
Sonho não cumprido,
quando é questão de sobreviver,
aterroriza.
Habitante fora de mapas,
do apagamento só as marcas.
A clausura não tem grade,
tem a ausência de vontade.
O peito não responde,
ao que a vida oferece,
e o que peço ao tempo
já não comparece.
Bebo sombra até que a sede volte,
acabou a pressa ao pote.
Mergulho entre pontes do inconsciente,
na dor permanente,
é comando: sempre volte.
Se a luz se apagou no vazio sem clemência,
fica o poema como única evidência.
EDU LAZARO


