Reverso

No cinza do que resta, minha rota se dissolve,
e o silêncio virou dívida que pago.
Há pontes que me deixam distante,
fico aqui no eco do que foi, na sombra do agora.
Me dei quebrado quando ainda havia pra onde ir,
por isso me viste de longe, turvo, enevoado.
As falhas somadas ao excesso, sem destino,
a crueldade da solidão me consome sem tempo.
Fico olhando minha sombra se apagar,
presença e ausência mistura-se.
Resto eu, sobra silêncio, constante lamento,
tão perto e distante, indiferença que esconde,
aparências que a troca dos dias descobre.
EDU LAZARO

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