Hipervigilância

O barulho cede mas o pulso insiste,
a frase se despedaça em puro dado.
Pensamento vigia pensamento.
O corpo pesa na cadeira, horas sem fim.
A mente conta os segundos,
mede o fio antes do corte,
calcula, adia o golpe que não vem.
Sem o nocaute da química
resta a vigília,
pupila gasta, garganta árida,
essa lógica fria que afasta o sono fácil
justo quando o cansaço deveria render.
O peito trava.
A perna inquieta procura posição que não existe.
Silêncio denso, sem nenhuma fresta de saída.
A mente conta os segundos.
O peito trava.
O despertar não vai trazer alívio,
só esse resto de noite que recusa virar dia.
EDU LAZARO

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