IV

Rotina.
Meu corpo age automaticamente, controlado pela responsabilidade das obrigações.
Enquanto isto, não estou onde você me vê.


Sorrio.
Mostro meus dentes, mas o acesso ao que minha alma sente não está aberto à explicações.

Na condução dos dias o lugar ao meu lado está vazio.
Vago em um  agora fora de hora que o relógio não marca e também nunca aconteceria.

Eu sei, não é fácil controlar os pensamentos, mas as cordas que manipulam os estímulos certos eu cortei, uma por uma, e junto delas foram-se as certezas.

Certezas? Já não existe nem vestígio! Marcas apagadas.
Meu coração é terra de ninguém.

Quando você me acordar, antes que tudo o que há pra dizer seja dito, eu saberei no seu olhar.

Dos seus lábios quero os seus beijos, e depois que eu voltar do universo para onde só sua  língua pode me transportar, me diga seu nome.

EDU LAZARO